Comerciante comemora seu dia trabalhando

Responsável por impulsionar a economia, gerar empregos e movimentar o desenvolvimento do país, o comércio celebra no próximo dia 16 o Dia do Comerciante. A data homenageia profissionais que, com trabalho, dedicação e resiliência, mantêm o setor em constante movimento. 

Combustível que alimenta a economia e um dos propulsores essenciais do crescimento, seja na permanente criação de empregos, seja na incessante irrigação dos orçamentos públicos ao curso dos impostos gerados pelo consumo, o comércio é um poderoso fator do desenvolvimento econômico do país. E o faz movido a trabalho, dedicação e criatividade superando os obstáculos interpostos ao longo do percurso.  É com esse desejo e essa vontade que o comerciante comemora no próximo dia 16 o seu dia, mas sem feriado e trabalhando como sempre.  

O destaque para o prestígio dos comerciantes na economia brasileira tem fonte de inspiração no nascimento de José Maria da Silva Lisboa, o Visconde de Cairu, Patrono do Comércio Brasileiro, pela sua enorme influência sobre a Corte para o fim da prática mercantilista monopolista de Portugal no país.

Com a abertura dos portos a outras nações (1808), a economia brasileira pode modernizar-se e crescer graças à diversificação do comércio com outros países. Isso se deveu por força da introdução das ideias liberais de Adam Smith, como o livre mercado e seus efeitos benéficos, para justificar o fim do monopólio comercial da Metrópole.

Para desenvolver sua atividade, o comerciante constitui-se no elo que liga os setores da agropecuária e da indústria junto à sociedade, aos consumidores – os agentes que se beneficiarão ao adquirir os bens que atenderão gostos e necessidades.

Nesse aspecto, a figura do mascate retrata com exatidão o papel do comerciante para a formação social e das cidades, integração territorial, bem como o desenvolvimento da economia nacional nos processos de interiorização. Na condição de vendedores ambulantes, os mascates transformaram a estrutura urbana e comercial das regiões.

Muitas vezes induziram à formação de povoados, através das feiras, que depois viraram cidades. Com a garantia de suprimentos à população fixa e errante, as vendinhas de produtos secos e molhados, com o desenvolvimento local dariam origem às grandes redes de varejo, posteriormente.

O comércio constitui-se na principal atividade dos serviços. Enquanto as atividades terciárias representam perto de 70% da geração de riqueza na economia brasileira, o setor comercial participa com aproximadamente 11% do total geral. 

Para atender os interesses das famílias, os diversos segmentos comerciais empregam mais de 10,5 milhões de trabalhadores, em mais de 1,5 milhão de unidades comerciais pelo país, segundo o IBGE.  Convém destacar que a maioria delas é composta por micro e pequenas empresas, sendo boa parcela destas de caráter familiar.  

Considerando apenas as quatro principais atividades dos microempreendedores individuais (MEIs) somam-se ao conjunto de empresas pelo menos mais de 1,681 milhão de novos CNPJs assim distribuídos: varejo de mercadorias em geral; comércio de doces, balas e bombons; varejo de bebidas e vendas de cosméticos, perfumaria e higiene pessoal.

Enquanto o comércio se esforça para levar bem-estar a qualquer ponto deste país, capilarizando a produção de bens, ao mesmo tempo enfrenta as vicissitudes impostas pela política econômica.

Carga tributária elevada e incompatível com o nível de renda média do brasileiro somada à política restritiva dos juros altos faz com que o trabalho do comerciante se torne árduo e um desafio permanente diante da conjuntura, pois muitas famílias estão endividadas e parcela importante do orçamento doméstico apresenta-se comprometida, o que tem demandado do comércio maior cautela com a gestão dos estoques e dificuldades no momento da venda. 

Na celebração do Dia do Comerciante, nossos votos são para que a categoria se mantenha resiliente, atenta e bastante focada na sobrevivência do seu negócio. Para isso faz jus o emprego da inovação, da capacidade de adaptação às mudanças de mercado, num contexto de combate à inflação, concorrência desleal com os camelôs, pirataria, contrabando, mais custos pesados e de incertezas quanto ao quadro político e os próximos rumos da economia a partir do ano que vem.

Aldo Gonçalves, presidente do CDLRio e do SindilojasRio.

📷 IA e Divulgação.

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